
CECULT convida para lançamento de livros
CECULT convida para lançamento de livros
No próximo dia 20 de março serão lançados dois livros publicados pela Editora Alameda. Ambos resultam de pesquisas desenvolvidas no CECULT:
Em casa de ferreiro. Os artesãos do ferro nas Minas Gerais do século XVIII, de Crislayne Alfagali.O livro examina as condições de vida e de trabalho de ferreiros, ferradores e serralheiros que viveram Vila Rica e Mariana, ao longo do século XVIII. A análise caminha do geral ao particular, examinando desde o lugar social dos oficiais do ferro nas hierarquias do Antigo Regime português até as trajetórias de vida de alguns desses artesãos. Com base em extensa pesquisa documental, a autora analisa as condições materiais de trabalho nas tendas e oficinas dos ferreiros e serralheiros, mostrando as formas de controle de suas atividades, como eram vistos por funcionários régios e pelos naturalistas e, especialmente, como exerciam suas atividades. Articulando diversas escalas de observação, a obra conta a história pouco conhecida dos artesãos do ferro nas Minas setecentistas e empreende um rico diálogo com argumentos clássicos da historiografia sobre a economia e a sociedade da América portuguesa.
Política e escravidão em José de Alencar. O Tronco do Ipê, Sênio e os debates em torno da emancipação (1870-1871), de Dayana Façanha.O ponto de partida deste livro é O tronco do Ipê, romance de José de Alencar ambientado numa fazenda escravista do Vale do Paraíba e escrito durante os debates que antecederam a Lei do Ventre Livre. Relacionando literatura e história, a autora examina não só o texto desta e de outras obras de ficção de Alencar produzidas da mesma conjuntura, mas também os discursos parlamentares e os escritos jornalísticos que ele e seus contemporâneos escreveram e publicaram. Assim, a análise abrange os debates sobre a abolição da escravidão. Alencar era deputado pelo Partido Conservador na Câmara nacional e se opunha à lei de 1871. Negava ser escravocrata, pois defendia a extinção paulatina do cativeiro, por alforrias concedidas pelos senhores. O romance O tronco do ipê foi escrito de acordo com essa postura, apresentando uma escravidão harmoniosa e regida por valores paternalistas. Seus personagens contrastam com outros que povoam livros e relatos jornalísticos de impacto do período, inclusive de abolicionistas.
Haverá uma mesa-redonda com as autoras, às 15h, no Anfiteatro do IEL/UNICAMP, intitulada “Trabalho, escravidão e liberdade em perspectiva histórica: trajetórias de vida e literatura”. Em seguida, às 17h, na Livraria da Editora da Unicamp (também no IEL), as autoras estarão disponíveis para autógrafos.